jan/2025

Crítica: “Anora”

Por André Barcinski

Crítica: “Anora”

Por André Barcinski

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23 comentários em "Crítica: “Anora”"

  • CONTÉM SPOILER:

    Barça… O que achei mais interessante em Anora é como o Sean Baker mexe com a nossa expectativa.

    O filme é claramente dividido em dois atos: primeiro, o encontro e o casamento; depois, o momento em que os pais descobrem e o filho foge. A partir daí, muda tudo.

    Como brinca com a ideia de plot twist de um jeito simples e genial: o “plot twist” é só fazer o que de fato aconteceria na vida real se uma garota de programa se casasse com um bilionário. Sem fantasia.

    O modo ardiloso da Ani — que lembra Sherazade, de As Mil e Uma Noites, em esperteza e astúcia — somado à forma como o filme é rodado, com fotografia crua, quase documental, cria a ilusão de que ela vai sair bem. A gente acredita que, como em Saltburn, ela ficaria com tudo.

    Mas o filme vira e diz: não. Isso tudo foi só a infantilidade de um personagem que é basicamente a geração Z se fosse rica. Quando os adultos entram em cena — advogados e, principalmente, a mãe, figura que mais preza pela reputação — o jogo acaba. O pai só vê mais uma idiotice do filho mimado, que foge dos próprios pais por medo.

    A Ani termina sem nada. Presa ao eterno retorno da própria vida. Fazendo sexo em troca de gratidão — simbolizada naquele anel de casamento roubado pelo capanga. E a cena final é brutal: orgasmo misturado com choro, consciência cristalina da própria condição e da relação dela com o mundo.

    E isso tudo só funciona porque a atuação é absurda. Com todo respeito à Fernanda Torres, seria uma vergonha não dar o Oscar pra atriz que fez a Ani. Ela entrega tudo: sexo realista, improviso, duas línguas, corpo, choro, briga, dança. Falta o quê?

    No fundo, é uma crítica geracional disfarçada. O filme frenético de propósito, quase dá TDAH. Tudo é rápido, urgente, excessivo — exatamente como os jovens gostam, e exatamente o vazio que isso produz. Até a trilha segue essa lógica: hits moldados por algoritmo. Vape, álcool e drogas aparecem como comportamento normal, não transgressão.

    Como aconselhava Nelson Rodrigues: jovens, envelheçam.

  • André, agora vi o filme e fiquei com a estranha impressão de influência do John Cassavetes nos diálogos frenéticos, na direção de atores. Uma comédia de erros amarga e muito bem amarrada.

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    Anora é o Parasita da vez, pois ambos os filmes, apesar das diferenças, contam a mesma história. É aquela coisa: a riqueza está tão visível e é esfregada de forma ostensiva na cara das pessoas, que elas querem, tanto os pobretões quanto a classe média que se acha elite mas não é, desfrutá-la também, seja como for. Uma vez desfrutados os benesses dessa riqueza pela plebe, mesmo que brevemente, é impossível para ela voltar a sua medíocre vida cotidiana, mesmo que fique visível nos parcos momentos que todos convivem, o nojo, sei que a palavra é forte, mas ela cabe aqui, que os de cima sentem pelos de baixo…Em Parasita, a perda dos benesses das mordomias pela plebe se transformou em psicopatia e sobrou tiro pra todo lado. Já em Anora, essa mesma perda se transformou em resignação desesperada de que a vidinha suburbana é o máximo que a ingênua protagonista sempre terá.

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    Joao Gilberto Monteiro

    André, depois eu vou dar uma olhada no Anora, e agora fica a grande dúvida nacional:
    Na sua opinião, a Fernanda Torres tem alguma chance de ganhar o Oscar de Melhor Atriz?

  • Assisti ano passado na Mostra e desde então está no topo da minha lista de melhores do ano. Achei uma jornada fantástica do começo ao fim. A cena da chegada dos capangas tem uns 30 minutos e é um primor de comédia física e tensão. Filmaço, realmente.

  • Bom dia, André! Também gostei demais de Anora. Só fica atrás de “A Substância” na minha preferência do Oscar. Tomara que você consiga escrever também sobre os outros. Curioso pra saber sua opinião sobre Emilia Perez, Conclave, A Semente do Fruto Sagrado…

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