“Jedi” virou “Kane”: a infantilização da cultura chega ao auge
Por André Barcinski
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17 comentários em "“Jedi” virou “Kane”: a infantilização da cultura chega ao auge"
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Barça, interessante texto.
Com relação ao tema da compatibilidade da arte com a ideia de mercadoria, eu concordo que esses agentes (estúdios, editoras, produtoras, etc.) exercem um papel fundamental para a existência de uma parte gigantesca do que entendemos como arte, pelo menos a partir do século XX.
Dito isso, parece que esse momento que você tanto descreve, a partir dos blockbusters “Tubarão” e “Star Wars” demonstra algo triste, mas verdadeiro: o cinema da Nova Hollywood e outros produtos artististicos de alta qualidade ficam parecendo “acidentes de percurso” da própria Indústria Cultural. Óbvio que não foram feitos acidentalmente, mas a fórmula blockbuster de padronização de conteúdo/pasteurização ainda não estava decantada o suficiente para gerar os lucros que passou a gerar. A indústria, que não deve ser a priori vilanizada, isso por ter financiado, divulgado, captado um monte de obras que amamos, passou a viver tranquilamente sem elas, o que só dependia de sua profissionalização cada vez maior. Há cada vez menos frestas.
Acho que tecnologia e a organização do mercado sempre ditam como filmes, música, etc. chegam a nós. Hollywood estava falindo no fim dos 60 com o carcomido sistema dos estúdios e foi salva pela Nova Hollywood. Quando se reergueu, viu que o caminho do “blockbuster” era mais lucrativo, e tivemos “Tubarão”, “Star Wars”, etc. Cinema autoral e menor perdeu espaço.
Perdi meu filho de 16 anos para essa infantilização da cultura e, a julgar pelo incentivo da mãe, que cresceu assim, creio que não possa salvá-lo nunca mais!
Na idade dele, já tinha visto e ouvido tantos pilares da civilização que me constrange dolorosamente constatar essa superficialidade de hoje, e repulsa ao verdadeiro conhecimento.
Olha, acho que jovens são estimulados por coisas boas se têm chance de conhecê-las. Ou quero pensar que sim!
Barça,
concordo com vc e acho que a “inteligência artificial” entra nessa equacao também. já temos vários artistas criados por IA e os royalties vao todos para os criadores.
outro dia entrevistei um DJ amigo meu que disse o seguinte sobre música: “Outro ponto é ajudar a combater que o consumo de plataformas como Spotify nos emburreçam como consumidores. Sabia que uma das diretrizes do spotify é fazer que a música perca a importância na sua vida? Explico: o que eles buscam na prática é um serviço que preencha sua necessidade sem que você precise escolher ou criticar nada.”
Ou seja, muita gente está delegando seu “gosto musical” aos algoritmos. os artistas de verdade perdem cada vez mais sua relevância e importância e assim vamos nivelando lá em baixo a cultura como um todo.
abraços,
Pedro
ps. minha mae vai mandar meu livro pra vc essa semana.
Valeu demais!
Essa infantilização cultural é consequência de algo mais amplo? Parece que vem dominando todas as áreas: trabalhista, conjugal, esportiva. Seria um buraco sem fim?
Acho que sim, infelizmente.
Muito bom, mestre! E o pior: de 2018 para cá, só se acentuou essa percepção. Filmes de heróis não acabam nunca, por exemplo. Estava falando com meu pai sobre isso: remakes e reboots são cada vez mais dominantes. De cada 10 filmes que saem, metade é derivado ou remake ou reboot de alguma franquia. Os estúdios não querem arriscar com nada. E o público também não quer novidade… Enfim… Fiquei curioso sobre essa teoria da “cauda longa” o que é isso? Abs
É um livro do Chris Anderson, então editor da revista “Wired”, que dizia, basicamente, que a web permitiria a todos viver de “nichos”. Acho que ele não pôs na equação os algoritmos que hoje ditam 99% do que as pessoas compram, então essa teoria foi uma tremenda furada.
André, o mais engraçado mesmo é que a coisa na cultura em geral chegou num nível ainda mais baixo do que em 2018 que pensando bem, eu até acredito que a Escolinha do Professor Raimundo, de fato, é um manifesto pela diversidade na Educação e que Curtindo a Vida Adoidado é um libelo anarquista e anticapitalista e os livros de colorir viraram os tais Bobbie Goods, obviamente, muito mais caros!!!
Bom, a tendência agora é só piorar, visto que já agendaram para fevereiro do ano que vem um festival de filmes feitos com inteligência artificial.
Sério isso?
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/09/festival-de-filmes-com-inteligencia-artificial-vai-rever-limites-da-tecnologia.shtml
Que coisa tétrica.
Eu fico angustiado com as capas dos livros em destaque nas poucas livrarias que ainda existem no Brasil, parecem uma mistura de RPG, BDSM e autoajuda esotérica, e o texto de todos parece uma redação de oitava série.
E as “livrarias” de aeroportos e rodoviárias? Só autoajuda e esoterismo.