jul/2026

Meus cinco autores policiais favoritos – e o que ler de cada um!

Por André Barcinski

Meus cinco autores policiais favoritos – e o que ler de cada um!

Por André Barcinski

Há alguns dias, postei no “X”, antigo Twitter, uma lista de meus autores policiais favoritos. Muita gente pediu que eu complementasse com os livros que indico de cada um dos autores.

Aqui vai uma seleção dos melhores livros dos cinco escritores policiais que mais amo (sem ordem de preferência). Busquei incluir apenas títulos disponíveis em português. Alguns estão fora de catálogo, então recomendo buscar em sebos ou no site Estante Virtual:

JIM THOMPSON

Quem acompanha o blog sabe de minha fascinação pela escrita concisa e brutal de Thompson (1906-1977). Já fizemos um debate sobre ele (veja aqui) e escrevi longamente sobre suas obras (leia aqui).

Para quem não conhece a obra do autor, recomendo dois livros para começar: “O Assassino em Mim” (1952) e “1280 Almas” (1964). O primeiro é o livro mais conhecido de Thompson e relata as aventuras sanguinárias de um serial killer que, acredite, também é um xerife. O segundo é meu favorito e tem um personagem central parecido com o do livro anterior, um homem da lei que não liga muito para a lei.

Outros títulos de destaque (em português): “Os Imorais” (1963) e “Os Implacáveis” (1958). Para quem lê em inglês, recomendo também “Savage Night” (1953), “A Hell of a Woman” (1954) e “After Dark, My Sweet” (1955).

JOSEPH WAMBAUGH

Wambaugh (1937-2025) é pouquíssimo conhecido no Brasil, então não é fácil achar seus livros, mas ele é autor de grandes romances que revelam os bastidores da polícia e da vida de tiras. Wambaugh foi do Departamento de Polícia de Los Angeles por quase 15 anos e escreve sobre o dia a dia de policiais como ninguém.

Sua obra-prima é “Os Novos Centuriões” (1971, também lançado no Brasil como “A Polícia e os Violentos”), primeiro livro do autor e escrito enquanto ele ainda era da polícia. É um relato autobiográfico sobre as tensões e mazelas da vida de um tira. Nos anos 2000, o autor lançou uma série de cinco livros sobre uma delegacia em Hollywood, e dois saíram no Brasil: “Divisão Hollywood” e “Os Corvos de Hollywood”.

Se você lê em inglês, não deixe de ler “The Onion Field”, livro de não-ficção sobre dois bandidos que sequestram dois policiais e matam um deles num campo de cebolas. É de arrepiar. O livro foi adaptado num excelente filme de Hardol Becker, com John Savage e James Woods.

GEORGE V. HIGGINS

Esse é o Roger Federer do romance policial: o estilista mais fino, capaz de descrever uma carnificina entre gângsteres de Boston com a elegância de um F. Scott Fitzgerald. Higgins (1939-1999) foi jornalista e trabalhou por um tempão no Ministério Público de Boston na divisão que perseguia mafiosos. Foi lá, ouvindo milhares de horas de gravações clandestinas de reuniões de gângsteres, que ele aprendeu o linguajar dos bandidos e teve a ideia de contar as histórias deles. Antes de lançar seu primeiro livro, em 1970, escreveu nada menos de 14 romances, que achou impublicáveis e, por isso, destruiu os originais.

Quando finalmente terminou um romance que julgou digno de lançamento, Higgins mudou o mundo da literatura de crime: o livro é nada menos que o favorito de nove entre dez autores de romances policiais: “The Friends of Eddie Coyle”, infelizmente não disponível em português a não ser por uma raríssima edição de 1971, lançada pela Editora Nova Época. Era o livro favorito de Elmore Leonard, que dizia ter aprendido a escrever diálogos lendo Higgins.

Nos sebos é possível achar dois títulos em português, ambos excelentes: “O Jogo da Extorsão” e “O Círculo Fechado”. Se você lê em inglês, não perca “Rat on Fire” e a série “Jerry Kennedy”.

PATRICIA HIGHSMITH

Ninguém escreveu romances policiais psicológicos como Highsmith (1921-1995). Fiz um texto recentemente no blog sobre adaptações cinematográficas da obra dela (leia aqui).

Com Highsmith não há discussão: leia os cinco volumes da série Ripley, começando com “O Talentoso Ripley” (1955), que você atingirá o nirvana.

JAMES ELLROY

Se alguém botasse uma arma na minha cabeça – já que o assunto é história policial! – e me obrigasse a escolher UM autor de histórias criminais, seria James Ellroy (veja aqui um debate bem legal que fizemos em 2024 sobre ele).

Ellroy tem 78 anos e acaba de lançar mais um romance, “Red Sheet”, que ainda não li, mas está na fila.

E por onde começar a ler Ellroy?

Indico dois livros, que iniciam as duas séries mais importantes da carreira do autor: o primeiro é “Dália Negra” (1987), primeiro volume da série policial “Quarteto de Los Angeles”, que tem ainda os excelentes “O Grande Deserto” (1988), “Los Angeles – Cidade Proibida” (1990) e “Jazz Branco” (1992).

O segundo é “Tablóide Americano” (1995), primeira parte da trilogia “Underworld USA”, espécie de história não-oficial da CIA, da polícia, da Máfia e da política americana a partir dos anos 1950. É meu livro favorito de todos os tempos e continua com “Seis Mil em Espécie” (2001) e “Sangue Errante” (2009).

Um ótimo dia a todas e todos.

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