nov/2025

Crítica: “O Agente Secreto”

Por André Barcinski

Crítica: “O Agente Secreto”

Por André Barcinski

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23 comentários em "Crítica: “O Agente Secreto”"

  • So consegui assistir o filme no sábado antes do globo de ouro, como tenho laços com recife me conectei e gostei bastante, o que parece motivo de critica de algumas pessoas. A perna cabeluda (poderiam ter explicitado mais a relação com os desaparecimentos causados pela ditadura), o cine são Luiz, o tubarão, fazem parte do folclore recifense. Não faço parte do fã-clube do KMF (gostei de Aquarius, menos de o som ao redor e não gostei muito de bacurau). Concordo com a parte das subtramas não aproveitadas, as transcritoras, o alemão/judeu que só serve pra mostrar como o delegado era FDP, mas ja dava pra ter notado pelo resto do filme ne (será que ele não quis prestar homenagem ao Udo Kier que ja estaria doente quando gravou?). Enfim, gostaria de ver os rivais no globo de ouro para comparar. Vou ver valor sentimental do Joachim trier, o do safar panahi, foi apenas um acidente e talvez o coreano se pintar no MUBI. o da Tunisia e o espanhol não sei se chegam.

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    Fabio Paim De Campos

    Acho que aquela cena do alemão foi colocada pelo filme ter uma parte financiamento vindo da Alemanha, mas, concordo com você, ficou com cara de enxerto, sem nenhuma conexão com a trama.
    No geral, apesar de longo, não senti o tempo passar. Apesar de não ser fã do KMF é inegável que ele conduz bem os filmes.

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    Djalma Beraldo Batista

    Opa, tava doido já para ler sua crítica do filme.

    Eu vejo uns pontos um pouco diferentes do seu, Barça.

    O industrial existe exatamente como mostrado no filme, aliás, existem vários desses. Falam exatamente da mesma forma como foi exposto. Eu trabalhei anos num instituto de pesquisa em Manaus e participei de várias reuniões com clientes ou parceiros do sul/sudeste em que acontecia como mostrado naquela cena. Sempre colocando em dúvida os projetos por serem do Norte, comparando como em São Paulo era mil vezes melhor, a mesmíssima ladainha do filme. Mas assim perfeitamente igual até nos termos, nas palavras. Na sessão quando vi a cena, isso me pegou tanto que virei pro lado e falei alto pra minha esposa: “Sério, eu já vivi isso várias vezes”. Parece panfletário mas não é.

    Outro ponto é as várias referências pra tubarão. Hoje moro perto de Recife e entendo melhor esse ponto. A cidade toda foi mudada por conta do estrago ambiental causado pela construção do Porto de Suape e pela chegada dos tubarões nas praias. Afetou profundamente a autoestima da cidade, até a logística e o funcionamento das coisas no dia a dia. Imagina se o Claudio Castro constrói um porto em Niterói, muda toda o habitat natural e a orla inteira do Rio de Janeiro é tomada por tubarões? O caos que seria? Recife é uma cidade cheia de orgulho de si mas que carrega esse peso de que algo foi tirado de lá, pela sua própria ambição.

    Eu realmente não senti a hora passar, não olhei nenhuma vez pro celular pra ver quantos minutos faltavam. Último filme que fiquei assim foi em “O Brutalista”, confesso que “Uma batalha após a outra” já tava me cansando no segundo ato.

    Acho que só no início o personagem do Wagner Moura parece perdido demais (principalmente quando descubro que personagem é de Recife mesmo) e demorei a conectar com a trama dele. E aquele corte final ficou muito didático, sem necessidade alguma de tanta explicação. O roteiro poderia ser muito mais criativo nisso.

    Eu achei disparado o melhor filme do KMF, todos os outros acho muito superestimados.

    • Não duvido que existam pessoas assim, infelizmente. Mas é vilão de novela. Está num jantar com um casal e chama a esposa de “secretária”, depois diz pro marido que ela é muito bonita, enfim, só clichê de cafajestice.

      Quanto aos tubarões, eu sei das questões de Recife com tubarões. Mas o que eles têm a ver com a história? Absolutamente nada. É só pra dizer que a perna pertencia ao pobre estudante desaparecido?

  • Gostei muito das atuações da protagonista, “Dona Sebastiana”, e do coadjuvante Wagner Moura.
    Barça, essa coisa de colocar o mesmo ator pra interpretar o filho é sempre uma idéia que não funciona. No último do Almodovar ele comete o mesmo erro. Isso te tira do filme por um instante. Desnecessário.

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    Fabio Henrique Goncalves

    Eu também achei a personagem do Udo Kier completamente dispensável. Parece o caso de “encaixar aí um brother no meu novo filme”.

    Mas fora isso, achei um filme excelente. Particularmente, destacaria a forma como o espectador fica sabendo o desfecho do protagonista Marcelo – anticlímax pra muita gente, eu achei uma boa sacada.

    Parabéns pela crítica. É sempre ótimo ter contato com opiniões contrárias, quando bem fundamentadas

    • Fica a pergunta: o avô do Fernando não contou pra ele por que ele estava se arrumando todo pra esperar o pai? Não disse que iam fugir do país, que o pai estava sendo perseguido?

      E por que o industrial só bota a cabeça do Marcelo a prêmio em 1977, quando a pendenga entre os dois começara em 1974? Sinceramente, não entendi.

  • Sim, é só isso!! Mas Barça, porque o Kleber Mendonça é tão bajulado pelos críticos ?
    Na minha opinião, para grande parcela da crítica nacional e internacioanal o fato de ter em seus filmes um discurso de viés claramente de esquerda é o bastante para considerarem seus filmes como grandes obras. Vejo Kleber Mendonça como um diretor que coloca a ideologia a serviço da arte e neste caso se mostra mais um militante do que um verdadeiro artista. E ele não está sozinho…

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    Joao Gilberto Monteiro

    Eu ainda não assisti à esse filme, os outros que vi do Kléber são bons, mas nada tão maravilhoso quanto querem fazer ser!!!

    Mas pela sua descrição do filme, parece ser um longa feito sob medida para o mercado externo, de olho na temporada internacional de premiações, até para alavancar a carreira do Mendonça no estrangeiro e também do Wagner Moura (ainda mais) e do elenco todo!!!

  • Interessante sua opinião Barça, ainda mais porque em parte concordo com ela (a trama principal é bastante simplória), mas a tensão constante, a atmosfera criada e a ambientação foram justamente o que me fizeram gostar tanto do filme.

    Inclusive, esse clima de tensão me remeteu, espiritualmente falando, a outras obras que gosto bastante também, onde acho que a trama em si não é a trama principal, e sim o clima e atmosfera criada (de cabeça, me veio a mente Blow-Up, do Antonioni, Dont Look Now, do Roeg, ou Cache, do Haneke – antes que venham me pentelhar, não estou comparando as obras, e sim dizendo que não foi a trama que me conquistou também nesses outros filmes).

    Achei que a trama das alunas no futuro [e um pouco artificial, mas ajuda a “conectar” um pouco o tema da memória, presente ao longo da trama, e que trouxe pra mim um final bem melancólico, mas que não saiu da minha cabeça. Dito tudo isso, acho que parte da frustração no final faz sentido: para mim, o filme parece sempre prometer um aprofundamento da trama principal que de fato não acontece.

  • A crítica do Sérgio Alpendre na Folha resume minha opinião: filme divertido com excesso de ideias e final frustrante. Agora uma pergunta, André. Você acha que o sucesso internacional do filme tem mais a ver com o bom relacionamento do diretor com festivais ou pela curiosidade que essa Recife do filme levanta nos gringos? Abs

  • Concordo com quase tudo que você disse, André. Sou recifense, então por questão de identificação, acabei me conectando mais com o filme do que você. Acrescentaria que o vilão principal acaba sendo mais vilão por ser xenofobico do que por ser parte da máquina da ditadura empresarial, o que acaba passando uma impressão de pouca profundidade.

    Discordo apenas da perna cabeluda, que pra mim foi um bom momento pra representar a polícia repressiva da época, e que era maquiada pelos jornais por uma lenda urbana, muito famosa aqui em Recife.

    Abraços!

    • Sim, a Perna Cabeluda é um adendo divertido, mas não tem conexão alguma com a história central e parece estar ali como curiosidade local. Nem a conexão entre a “maquiagem” dos jornais da época fica clara, a meu ver. Abraço!

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    Segundo parcela considerável da crítica estamos diante, parodiando algo que já foi dito por aí, “do melhor filme nacional de todos os tempos da última semana”…Pretendo assistir O Agente Secreto, mas posso afirmar com certeza que Kleber Mendonça, depois do espetacular O Som ao Redor, um dos filmes nacionais mais importantes dos últimos 50 anos, só fez tranqueira, e espero, de verdade, que seu novo filme não seja uma delas.

  • Estou longe de fazer parte do culto do KMF mas gostei bastante do filme (primeiro dele que realmente gosto) exatamente pelos elementos externos à trama principal. A ambientação, os personagens secundários todos muito bem escalados, as subtramas davam sabor à tudo. Sem contar que as cores são muito bonitas (Achei tudo muito bem fotografado). Por isso tudo achei uma experiência muito legal e não o achei cansativo. A trama principal fica um pouco à parte, e realmente a resolução não tem força.

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