set/2026

Elton John: é a música, estúpido!

Por André Barcinski

Elton John: é a música, estúpido!

Por André Barcinski

Em 2024 entrevistei o cantor do Iron Maiden, Bruce Dickinson, sobre a turnê solo que ele fazia à época. Ele respondeu: “Não teremos, intencionalmente, cenários, monstros nada disso, o show é sobre a música. Teremos um telão com um visual para cada canção, mas não é um show coreografado, a música vai mover tudo. Nada de playback, nada de bateria eletrônica, nada de samples. Teremos uma banda incrível tocando tudo que sabe”.

Foi impossível não lembrar essa entrevista ao ver, pela TV, o show que Elton John e sua banda fizeram na segunda à noite, fechando o quarto – de sete – dias do Rock in Rio. Foram 24 músicas em quase duas horas e meia de show.

A banda de Elton, incluindo veteranos que estão com ele há mais de meio século, como o baterista Nigel Olsson, o guitarrista Davey Johnstone e o percussionista Ray Cooper, tocou clássicos como “Bennie and the Jets”, “Tiny Dancer”, “Sacrifice”, “Rocket Man”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Don’t Let the Sun Come Down on Me”, “Skyline Pigeon” e “Your Song”, entre muitas outras.

O show não teve efeitos especiais, explosões, coreografias, vocalistas de apoio, dançarinos, playback ou AutoTune. Resumiu-se a uma banda excepcional tocando um repertório igualmente excepcional. Mas um show desses, hoje, se destaca simplesmente por fazer o básico: trazer boa música sem precisar de muletas visuais para incrementar a “experiência”.

Claro, o show de Elton usou o monstruoso telão de LEDs do Rock in Rio para ilustrar algumas canções, mas o telão era um simples adereço, uma geringonça supérflua. Ninguém vai voltar para casa dizendo “Nossa, que demais o telão no show do Elton!”, mas todo mundo vai lembrar a música.

O que nos leva a uma constatação óbvia: a atual fase da indústria de shows é tão ruim e o público está tão mal acostumado a ser enganado vendo apresentações pré-gravadas e cheias de truques circenses, que nada hoje é mais radical do que assistir a um bando de músicos tocando juntos sem “auxílio” exterior. Pode parecer papo de velho, mas é a pura verdade.

Elton John fez seu último show no Brasil. Ele se aposentou dos palcos, mas aceitou tocar no Rock in Rio por não ter conseguido incluir o Brasil na sua turnê de despedida. Fica a pergunta: que outro artista pop tem cacife para chegar aqui e fazer um show gigante só de clássicos e salvar a semana do Rock in Rio? Stevie Wonder? Paul McCartney? U2? A lista está ficando pequena.

Um ótimo dia a todas e todos!

4 comentários em "Elton John: é a música, estúpido!"

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    Luiz Otavio Rodrigues Ferreira

    Concordo com o texto. Estive no Rock in Rio no dia 07/09 e fiquei impressionado com o que o Elton John entregou, especialmente sua performance ao piano (achei que ele estava mais livre, mais energético no instrumento o que conferiu as musicas uma sonoridade mais completa). Evidente que a banda ajuda muito pois tocam juntos há décadas. Fiquei tambem contente por ter tido a oportunidade de ver um belíssimo show do Roupa Nova (são músicos espetaculares), com o Guilherme Arantes (esse ja com a voz mais prejudicada) mas sempre um clássico; um lindo show do Gilberto Gil (tambem com uma super banda); um honesto e muito bem montado show do Pericles cantando Motown (ele é um excelente cantor e tem uma baita noção dos limites de entrega da sua voz em um repertório que exige bem mais do que o pagode (e nisso ele foi bem pois nao se aventurou nos acordes mais altos mantendo sempre a direção correta da canção)…enfim…valeu pela musica e pela experiencia que so ela pode entregar ao vivo. Salve Elton John, Gil e a musica de verdade.

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    Vinicius Vieira De Oliveira

    Estive no Rock In Rio no dia de Foo Fighters, The Hives e Rise Against, e saí da Cidade do Rock feliz em ter visto apenas o básico: músicos tocando suas músicas ao vivo sem qualquer outro artifício. Assim como foi o Elton John nesse dia.

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    Willian Ifanger

    Interessante que o dia começou exatamente com uma apresentação circense da fraquíssima Luisa Sonza. E durante o dia teve outras apresentações também com artistas e banda, sem firulas, como o show do Roupa Nova e Guilherme Arantes (que ainda merece uma apresentação como artista principal e não convidado) e até o Péricles fez um show muito honesto.

    Do resto é isso…nada melhor que ver um artista incrível e sua banda fazendo o que gostam de fazer. E o setlist foi impecável.

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